Ao infinito e Além – uma reflexão sobre oportunidades

Sentada aqui sozinha na sala de embarque de um voo internacional e começam a vir várias possíveis cenas ou pequenos vislumbres do que me espera nesta viagem. Um frio na barriga, uma empolgação, um medo das incertezas…

Mas uma pergunta fica martelando em minha mente: “E se eu não tivesse dito ‘sim’ a isso, quanta coisa perderia?” Depois me perguntei quanta coisa já perdi por dizer ”não” pelo medo. Medo dessas mesmas oportunidades, dos sonhos, dos anseios. Como somos seres complexos, com dificuldades de conviver com essa ambiguidade. Não é sempre que consigo, mas como é bom quando me permito conviver com a empolgação do “sim” para a vida e o medo do “errado”. Como é bom sentir que estou conectada a minha força e tenho coragem para seguir. Como é bom seguir o coração! A sensação é da famosa frase de Buzz Lightyear personagem do filme Toy Story: “Ao infinito e além”. Não quero mais perder oportunidades de viver, de experienciar, de aprender por ter medo.

Atualmente, uso a estratégia de repetir pra mim mesma que a vida não é diferente de um GPS. Entrou na rua errada? Recalcula rota! Não é porque você errou que tem que ficar nessa “rotatória de pensamentos” o tempo todo, dobra na próxima rua e procura novos caminhos.

Minha experiência em restaurantes retrata bem meu longo processo de aprendizagem com o “recalcular rota” e meus medos, pois sou aquariana e sempre gosto do novo. Quando vou a restaurantes, procuro pratos exóticos ou diferentes dos tradicionais para experienciar novos sabores e aproveitar as oportunidades do cardápio que estão à minha disposição. Porém, não é sempre que me dou bem em minhas escolhas. Antigamente, eu me forçava a comer o prato inteiro, mesmo não gostando, como uma forma de punição pela “escolha ruim” que eu tinha feito e esse era um reflexo de minha vida. Agora entendo que só não foi a escolha mais apropriada naquele momento, retiro um aprendizado desta situação. Talvez, alguns ingredientes não combinem ou não são adequados para meu paladar, paro de comer e decido se vou pedir outro prato ou talvez uma sobremesa pra eu também não cair na armadilha de me deixar com fome e só mudar o formato da punição. Aprendi que esses “erros” fazem parte do processo, algo intrínseco ao risco. Corrigir rota passou a ser leve. Vale o risco para não perder a oportunidade de viver. E canto me dirigindo aos meus medos:

Pode falar que nem ligo
Agora eu sigo
O meu nariz
Respiro fundo e canto
Mesmo que um tanto rouca

Pode falar, não importa
O que tenho de torta
Eu tenho de feliz
Eu vou cambaleando
De perna bamba e solta
Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho

(Mallu Magalhães, Velha e louca.)

Um brinde às possibilidades!!!

Emanuela Gomes
Psicóloga


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