A voz do coração

Esses dias o assunto ou tema de propósito e talento tem chegado a mim de várias maneiras diferentes e me peguei tentando fazer uma conexão sobre eles. Falavam-me de desejo da alma, de não deixar ser vencido pelas dificuldades e resistências, mesmo as reais ou imaginárias – que são construídas pela nossa mente e por vezes parecem mais reais que as de verdade. Quanto mais eu ouvia mais me perguntava qual era o meu desejo da alma.

Perguntei a mim mesma o que eu ainda tinha resistência em fazer. E logo a resposta veio: comunicar. Mas a minha resistência logo protestou e disse: “Peraí, isso não pode ser uma vontade da alma, pois a vontade da alma vem com um talento e definitivamente você não tem talento para isso.” Bingo!!! Agora não tenho a menor dúvida de que esse é o meu chamado, estou percebendo que quanto maior o nosso talento maior a nossa resistência em segui-lo. Veja só, caro leitor, se eu seguir o desejo da alma e for fiel a ele, um dia a resistência pode sumir, então, como uma boa vendedora insistente, a resistência só está tentando fazer o trabalho dela para não ser demitida e deletada da minha mente.

Para piorar as coisas para a minha resistência, dois fatos aconteceram, um deles foi que acordei disposta a sentar a bunda na cadeira e escrever. Ainda não sabia que horas, mas iria procurar algum horário. O outro fato foi que quando chego no trabalho, a primeira paciente do dia tinha cancelado de última hora. E pensei: “Obrigada, paciente!”. Resolvo sentar para escrever, mas antes retiro uma cartinha dos anjos e eis o que estava escrito: “Anjo do Entusiasmo – Esteja presente e alerta com todo o ânimo. Solte tudo aquilo que constrange e impede os movimentos e permita que sua paixão pela vida estimule as pessoas e gere novas oportunidades”. Preciso dizer mais alguma coisa?!

Como seria bom se todos os dias eu vencesse a resistência tão fácil assim, que todos os dias fossem tão sincrônicos e eu fosse passando e as portas fossem se abrindo para mim. Reflito: “Opa!!! Alerta de resistência! Essa danada se veste de várias formas. Agora, se apresentou no formato de ‘vida de fantasia’.” Alguns dias serão mágicos como o de hoje, alguns dias serão mais desafiantes, mas posso escolher aprender com os dois, posso aprender a aceitar os dois, posso aprender a ser fiel ao meu coração nos dois.

“Ser fiel ao meu coração implica em escutar aquela voz que às vezes está tão baixinha que não ousamos dar ouvidos.”

Ser fiel ao meu coração implica em escutar aquela voz que às vezes está tão baixinha que não ousamos dar ouvidos. Mas ela não desiste e se apresenta a nós em vários momentos da vida. Sabe aquele desejo que dizemos: “Os outros conseguem. Acho tão bonito, mas eu nunca conseguiria!!!” Então, deve ser por aí!!! Nesse momento, já passamos para o segundo passo que é identificar a voz da resistência.

Gosto de brincar comigo que minha resistência parece a Mística, a metamorfa do filme X-Men, ela se transforma no que for mais fácil me convencer, naquilo que ela sabe que eu valorizo. Lógico que para eu vencer a Mística eu preciso ser uma super-heroína da minha alma. Alguém corajosa, que não se deixa corromper “pelos valores do mal” – você leitor entenda mal como qualquer coisa que me desvia da alma. Que mesmo perdendo em alguns momentos da batalha, e isso sempre acontece, não desiste. Que não se desvia do seu propósito e da sua missão, pois ela entende que não é apenas uma luta do “bem contra o mal”, é uma luta dela para ser fiel a ela mesma.


Recapitulando:

1º ouvir o coração;

2º identificar a voz, ou as vozes, da resistência;

3º ter a coragem de enfrentar, de se desenvolver;  

4º aceitar o processo de aprendizagem e não se cobrar, nem se julgar;

5º o que, na verdade, precisa estar presente em todo o processo: lembrar que é sempre uma escolha de seguir seu coração, sua alma. Não é pelo reconhecimento ou pelo resultado. É para que eu pague o preço de ser EU.

Joan Garriga, em seu livro A chave para uma boa vida, fala de 3 grandes pecados: um deles é dar o que não tem e não é (falsidade); o segundo é não dar o que tem e é (covardia) e o último é não se entregar ao trabalho interno de distinguir o que você tem e é do que não tem e não é (preguiça da consciência). Concluo deixando vocês com a pergunta: Qual desses pecados vocês cometem e por quê?

 


Emanuela Gomes

Psicóloga


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