Curando sua Vida: transformação das dores crônicas e incapacitantes em Gratidão e Alegria

Desde 1983, a Organização Mundial de Saúde iniciou uma discussão para incluir uma dimensão “não material” ou “espiritual” de saúde, resultando numa proposta de mudar o conceito clássico de saúde para um estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social, não meramente a ausência de doença (Ervedosa, 2004)

Corroborando com essa proposta, a perspectiva da prática de vida integral nos ensina que o cuidado e a evolução do ser humano incluem a integração entre a saúde física, o equilíbrio emocional, clareza mental e despertar espiritual, e uma harmonia do individuo com a sociedade e as condições culturais e cósmicas da existência (Wilber et al., 2011).

Uma vasta literatura científica e nosso cabedal cultural apontam para a intrínseca relação corpo-mente, nos levando a considerar os ensinamentos da psicossomática na prevenção e tratamento das enfermidades. Vários autores vem apresentando as relações entre os aspectos emocionais e espirituais e as causas das doenças, e ainda o significado psicológico e espiritual no processo de adoecimento, cura e prevenção das doenças (Dahlke, 1996; Ervedosa, 2006; Tolle, 2017;  Andrews, 2011; Cairo, 2012).

O paradigma quântico-relativístico trouxe uma identificação do caráter energético da matéria, o que nos permite conceber a realidade como um imenso mar de energia que se apresenta  para nós como matéria em diferentes níveis de densidade. A exploração no interior do átomo, proporcionada pela Física (Atômica e Quântica) revelou a relação de interdependência entre as partículas do mundo subatômico e a capacidade de cada partícula englobar na sua estrutura a informação sobre todas as demais, o que vai ser a base do paradigma holográfico. Isso abriu a porta para a abordagem sistêmica que transcende a fragmentação do cartesianismo metodológico reinante nas ciências modernas. Por outro lado, avanços mais recentes nas ciências da mente levaram à constatação científica do comportamento quântico do cérebro, fortalecendo o novo paradigma. Assim, se toma o caminho de superação de antigas dicotomias: mente e corpo, razão e emoção, ambiente interno e ambiente externo, dentre outras (Liimaa, 2009).

Pesquisas em neurociência (Beuregard & O’leary, 2010) e medicina energética (Gerber, 1997) e várias outras investigações realizadas por cientistas da saúde, reconhecidos mundialmente, defendem a integração mente-corpo (Goswami, 2009; Dibiasi & Amoroso, 2009; Groff, 2009; Amorim, 2009). Essa abordagem defende o processo saúde-doença como integrado à vida psíquica e emocional-relacional do humano. Conforme Liimaa (2009), essa é uma perspectiva mais voltada à Medicina preventiva que traz uma visão de saúde integral e sistêmica (salutogênese mais que patogênese).

Atualmente, apesar do aumento da expectativa de vida, observa-se que cada nova geração se apresenta mais frágil que a anterior, e mais suscetível às enfermidades hodiernas. Comumente a população vem sofrendo por exemplo, de alergias e dores que se tornam crônicas.

Clínicas em Fortaleza tratam especificamente de pacientes que apresentam vários tipos de dores físicas. Sabemos que muitos deles sofrem de dores crônicas e convivem ininterruptamente com esse sofrimento, que está associado a emoções produzidas por esse estado, pois as pessoas terminam se sentindo afetadas animicamente pela indisposição para a vida, e pela falta de perspectiva de voltar a se sentirem saudáveis. Não obstante, outras emoções podem estar mesmo na raiz e causa das doenças e dessas mesmas dores crônicas.

Em geral, as clínicas e institutos que se dedicam a tratar desses pacientes e minimizar seu sofrimento vêm se concentrando eminentemente na área de diagnóstico e tratamento médico sofisticados, o que é obviamente imprescindível.

Considerando essa realidade, pensamos nas vantagens de um grupo terapêutico para pacientes com dores crônicas e incapacitantes. A psicoterapia de grupo, nesse caso, consistiria em realizar um tratamento complementar aos serviços ofertados pelas referidas clínicas e institutos existentes em Fortaleza.

Nessa abordagem, o processo saúde-doença é concebido como integrado à vida psíquica e emocional-relacional do ser humano. Portanto, o foco é a relação mente-corpo em seu contexto social, incluindo os recursos disponíveis para a melhoria da qualidade de vida. Outro foco seria também assegurar aos participantes a apropriação do seu próprio poder de cura e lugar de sujeitos, enquanto responsáveis por suas escolhas e formas de viver saudavelmente ou de adoecer.

Dessa maneira, o autoconhecimento propiciado pela psicoterapia de grupo os levaria a reconhecer como produzem seus sintomas e também a reaprender a produzir sua própria saúde e bem-estar. O processo criativo instaurado através do próprio grupo poderá ajudar cada participante a criar suas próprias formas de cuidar de si mesmo e de gerar mais vida. Os participantes seriam estimulados a utilizar na vida cotidiana, as técnicas terapêuticas aprendidas e vivenciadas a cada sessão de psicoterapia de grupo, auxiliando-os a reconhecer seu poder e responsabilidade perante o tratamento, como também o poder de criar novas formas de autocuidado a partir do que for aprendido e vivenciado nas sessões de psicoterapia.

É sabido que a psicoterapia em grupo proporciona uma matriz grupal muito poderosa, pois cria vínculos afetivos entre pessoas com semelhantes situações de sofrimento, que compartilham não apenas suas dores e sofrimento, mas também o poder de auto responsabilidade, de recriar a si mesmos e a suas vidas, colaborando mutuamente com o processo de resiliência, transformação e cura dos membros.

Em resumo, um grupo terapêutico assim concebido, teria como objetivo, melhorar a qualidade de vida, através da identificação das raízes e causas das dores e demais sintomas, compreendendo seu funcionamento, mecanismos e significados, a fim de transformá-los e estimular o processo de cura possível, nos níveis físico, emocional, mental e espiritual.
Poderíamos ainda, vislumbrar os seguintes objetivos específicos:

a) Transformar os mecanismos físicos e psicoemocionais que produzem a dor e demais sintomas relacionados, bem como criar as condições de vida favorecedoras da saúde e melhoria da qualidade de vida.
b) Identificar as raízes e causas das dores e demais sintomas, compreendendo-os como expressão do próprio processo evolutivo, que ensina a transformar sofrimento em Compaixão e Alegria.
c) Compreender as funções, mecanismos e significados das dores e dos sintomas inter-relacionados.
d) Utilizar técnicas de autoconhecimento, de tratamento da dor e demais sintomas, bem como formas de prevenção de doenças e melhoria da qualidade de vida, no cotidiano.
e) Avaliar o próprio processo de mudança e os benefícios da psicoterapia de grupo.

Lembrando, este pode vir a ser um serviço terapêutico  complementar aos outros tratamentos já ofertados para essa população, que apresenta dores e outros sintomas crônicos. Um serviço que tem como diferencial, a auto responsabilidade por produzir doença e consequentemente, o empoderamento para compreender seus mecanismos psicossomáticos, desconstrui-los e recriar saúde e melhor qualidade de vida.

Autora: Gisneide Nunes Ervedosa CRP 11⁄212. Dra. em Psicologia Clínica e da Saúde pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha). Psicoterapeuta (Instituto Gaia, Espaço Viver, Espaço Grão, Mundo Akar). Professora pesquisadora da Universidade de Fortaleza na área da Psicologia, Saúde e Espiritualidade (1988 a 2011). Realizou convênios com a GEAP e a Petrobrás, como psicoterapeuta.

Por Gisneide Nunes Everdosa


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